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A nova(?) vestimenta do imperador

O texto abaixo, escrito pela ótima Jornalista Elaine Tavares, representa tudo o que penso relativamente à concessão, a Barack Obama, do Prêmio Nobel da Paz.

Inclusive, há algum tempo, tentei aferir no blog, ainda que de forma singela, por intermédio de uma enquete, a opinião simples sobre o tema.

Se o prêmio, genericamente considerado, tinha algum sentido, jogou pelo ralo sua credibilidade, pois só pode ser entendido como cinismo concedê-lo a um senhor da guerra.

Obama, até o momento, salvo raríssimos lampejos, tem se mostrado um engodo. O que, para mim, é de uma frustação enorme.

O matéria foi coletada no site “Brasil de Fato“.

Patética cena. Na platéia, de mãos dadas, a realeza. Olhos sorridentes, expressão de gozo e aquela serenidade dos saciados. No púlpito, o arrogante soberano do mundo. Recebia o Nobel da Paz e falava da necessidade da guerra. Nada poderia parecer mais cínico. Justificando a postura imperial dos Estados Unidos, Barack Obama insistia na sagrada missão que este país tem de levar a democracia ao mundo, nem que seja sob o fogo grosso. A imposição da ‘liberdade liberal’ a todo custo, com canhões e bombas.

Grotesca cena, assistida por milhões de pessoas no mundo. Os reis, feito cortesãos, aplaudindo o imperador. E este anunciava a decisão de enviar mais tropas ao Afeganistão, mais mortes, mais destruição, mais dizimação da cultura, da vida. E os lambe-botas, assentindo, extasiados, vendo o dono do mundo, no seu terno vistoso, cuspindo balas. ‘A guerra é fundamental para preservar a paz…’ Que o digam os estadunidenses empobrecidos, os que perderam as casas na crise imobiliária, os que ficaram sem emprego por conta da quebradeira de empresas privadas ‘competitivas’, os que tiveram de ver seu governo investindo um trilhão de dólares para salvar os bancos, enquanto eles mesmos tem de viver em tendas, sem saúde adequada, sem esperança. Que o digam as gentes dos EUA que observam o Nobel da paz gastar dez bilhões de dólares ao ano com a guerra no Iraque, os que vem seus filhos chegar em caixões.

A guerra dos Estados Unidos não é uma missão confiada por deus para levar boa vida às gentes. A guerra é uma imposição do capital que precisa se expandir. Quando a produção é demais e não há quem compre, é necessário criar alguma destruição para que as empresas possam ter a quem vender. Assim, destruir um país parece ser um bom negócio. Não tem nada a ver com democracia, liberdade e outros destes conceitos bonitos que os cínicos usam para enganar os incautos. O capital lambe os beiços e vai se sustentando mais um pouco, construindo países que foram arrasados pelas bombas.

A teologia que move a sede de poder dos Estados Unidos não nasceu agora, não é exclusividade do jovem imperador. Ela vem de longe na história, e nós, na América Latina, já a sentimos na pele desde quando este país decidiu roubar as terras mexicanas no início do século XIX. Desde lá, as doutrinas de guerra vem assolando nossas vidas, com invasões armadas, invenção de governos ditatoriais fantoches, invasões culturais, invasões empresariais. Tudo isso em nome do ‘deus’ dinheiro, tudo em nome do poder.

Ontem, na entrega do cínico Nobel da Paz, o jovem imperador escrachou a doutrina. Sem pejo. ‘Não há paz sem a guerra!’ E os poderosos – defendeu com seu nariz empinado – tem o direito de impor sua vontade ao mundo. Porque tem os canhões. Michele, vestida como uma imperatriz, deu o toque familiar, limpando tal qual uma dona de casa típica, o fato do marido sob os holofotes. A Globo terminou aí sua matéria, com um riso de admiração no rosto de Bonner e Fátima, eles próprios um casal modelo. E, nas casas, as gentes sorriram. ‘Quão lindo é esse homem, e quê coragem em defender a guerra!’ Enquanto isso, lá longe, no Oriente Médio, as bombas seguem caindo, assim como no Afeganistão, em Honduras, na Colômbia. Mas tudo bem, são só luzes. E é natal…

A razão cínica domina o mundo. Já não há disfarces. Mas eu acredito que uma hora dessas, as gentes acordarão e, decididas, dirão: Já basta! Ou isso, ou a barbárie“.

© Cartas de Tiro

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2 Responses to “A nova(?) vestimenta do imperador”


  1. dezembro 14, 2009 às 18:28

    Oi,João…Boa tarde!

    falar alguma coisa mais sobre esse texto seria uma enorme redundância…é definitivo.Ainda bem que vc garimpa algumas preciosidades e traz para cá.

    Mas, pode-se falar só uma coisinha que, na minha opinião,é um desastre:arrogãncia.Parece que a pseudo-humildade usada em campanha se esvaiu.

    O poder é mesmo embriagador.Mas, um dia , acaba. Felizmente.

    Beijos.

    • dezembro 14, 2009 às 22:36

      Gizelda

      realmente, a arrogância é uma tragédia. Infelizmente, em minha opinião, uma marca registrada desse povo – e Obama é fruto disso tudo. Eles, simplesmente, se bastam! Claro, há exceções, sem dúvida. Mas, num contexto mais geral, a soberba baliza bastante o padrão de comportamento estadunidense.

      Sim, o poder… sedutor…

      Finalizo com uma frase que li num twitter que “vive” Clarice Lispector (e que publiquei lá no dia 8/12), a qual, creio, serve com perfeição ao que estamos a abordar: “Evito palmas. Elas acordam o pior em mim” (@Lispectror).

      Beijos a você também. E muito obrigado pelo comentário, como sempre inteligente e gentil.


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