25
set
09

Conversa mole

O Senado da República não se emenda.

É muito descaramento.

Ontem, dia 24, com certo estardalhaço, a Mesa Diretora do Senado anunciou a extinção de 500 cargos efetivos (que dependem de concurso público para ingresso) na estrutura da Casa. Ocorre que os cargos extintos não estão ocupados (vagaram, basicamente, em razão de aposentadoria). Resultado: a extinção não vai representar qualquer economia aos cofres públicos.

Quanto aos chamados “terceirizados” e também aos cargos em comissão, que são preenchidos por indicações, nenhuma mexida. Nada. E percebam que os apadrinhados representam a maioria: são cerca de 2.800 comissionados e 3.000 terceirizados, contra 3.400 efetivos.

Na visão de Heráclito Fortes (DEM/PI), que é o primeiro-secretário da Mesa, a medida tem largo alcance. “Queremos apenas evitar que sejam preenchidos no futuro”, nas suas palavras.

Brasília - O senador Mão Santa conversa com o presidente do Senado, José Sarney, durante reunião da Mesa Diretora. À direita, os senadores Heráclito Fortes, César Borges e Adelmir Santana Foto: Antônio Cruz/ABr

Ou seja: é preferível extinguir cargos cuja ocupação se dá por mérito do que aqueles cujo preenchimento fica ao alvitre do freguês. Mesmo assim, com as digitais do cinismo, Heráclito entende que, como a idéia é diminuir gastos, a medida é eficaz. Ele afirma: “Os cortes foram feitos”.

Como se não bastasse, estando o país às vésperas do início das campanhas eleitorais nos Estados, o Senado também decidiu permitir que “apenas” os líderes de todos os partidos e integrantes da própria Mesa possam “deslocar” até 2 servidores de seus respectivos gabinetes para atuarem nos seus escritórios estaduais (reforçando seus times nas chamadas “bases”).

Não é desnecessário dizer que a decisão, sem dúvida, facilita o uso dos servidores públicos nas campanhas políticas vindouras. E, claro, tais senadores poderão continuar a ceder parte de sua cota de passagens aéreas para deslocar os funcionários aos Estados.

Segundo o diretor-geral do Senado, Haroldo Tajra, não há nada demais no reforço aos gabinetes estaduais de apoio. “É um cargo importante para atividade parlamentar”, disse. O negócio é rir para não chorar.

De duas, uma: ou esses senhores não tem medo do perigo do que isso possa trazer no resultado das urnas, ou eles nos julgam imbecis.

Aguardemos, pois.

Os dados e informações são da Agência Brasil.

© Cartas de Tiro

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