24
jun
09

Fim de uma era

belair hardtop coupê - 1957

Chevrolet Bel Air Hardtop Coupê - 1957

É totalmente possível afirmar que a história contemporânea dos EUA está intimamente ligada à da centenária montadora de veículos General Motors, por muito tempo a maior corporação ianque.

A identificação entre país e empresa era total.

Para se ter uma idéia, em 1953, Charles Erwin Wilson era presidente da GM quando foi nomeado por Dwight Eisenhower como Secretário da Defesa. Numa sabatina ocorrida no Senado, ao ser questionado se, na condição de secretário de Estado, ele podia tomar uma decisão contrária aos interesses da empresa, de pronto respondeu que sim. Todavia, acrescentou que não poderia imaginar tal situação, “porque durante anos eu pensei que o que era bom para o país era bom para a General Motors e vice-versa“.

Como é notório, aquele país sente o sabor mais amargo da crise financeira global. E a empresa, nesse cenário, recorreu, em 1º/6/2009, à concordata. Sua dívida total monta em US$ 172,8 bilhões.

O pedido da GM por proteção é o terceiro maior da história dos Estados Unidos, sendo o maior já feito pela indústria manufatureira do país. Em termos de ativos (US$ 82 bilhões), a concordata da GM só fica atrás dos colapsos do banco de investimento Lehman Brothers (ativos de US$ 691 bilhões), em 2008, e da companhia de telecomunicações WorldCom (ativos de US$ 104 bilhões), em 2002.

O Tesouro estadunidense irá injetar na companhia US$ 50 bilhões, passando a controlar 60% do capital da empresa. Ou seja, a empresa-símbolo do capitalismo norte-americano está, basicamente, estatizada, o que é uma heresia para um país onde o setor privado é tão sagrado quanto a celebração do seu “Dia de Ação de Graças” (Thanksgiving Day).

(Os dados colhidos são do UOL Economia, especialmente do dia 1º/6/2009).

Anúncios

4 Responses to “Fim de uma era”


  1. 1 Ziri
    junho 24, 2009 às 19:42

    O bom é saber que um dia tudo se acaba. Tudo!

    • junho 24, 2009 às 22:49

      Meu caro, de fato, praticamente tudo se acaba. Em alguns casos é bom que se acabe, noutros nem tanto…

      Você sabe, tenho 45 anos. E me lembro que, quando tinha lá pelos meus 8, 9 anos, meu pai tinha um Bel Air 1957 (naquele tempo, é claro, os carros duravam muito mais).

      O dele era azul, com capota branca. E aonde eu me aboletava, para o abastecimento no posto. Quase um programa. Delicioso programa pra esse garoto que vos fala.

      E tenho saudades daquilo tudo – é óbvio que não dos bens materiais, sem dúvida de menor importância.

      Mas saudades dos momentos, de uma infância que, ainda bem, não foi perdida.

      Ainda que uma era tenha se acabado.

      Um beijo bem forte pra você.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


Utilidade Pública

EFEMÉRIDE

Temas

Imagem que conta…

Siga o Cartas de Tiro no Twitter

junho 2009
S T Q Q S S D
« maio   jul »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

RSS Brasiliana

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

Posts mais lidos

RSS Notícias

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

Leitores por aí

Até o fim!


%d blogueiros gostam disto: