Arquivo de fevereiro \19\UTC 2009

19
fev
09

Só mudam as moscas…

Recolhia material na internet para publicar um post sobre o envio, por Barack Obama, de um contigente aproximado de 17 mil bravas almas (our boys) ao Afeganistão. E externar minha profunda tristeza – e não surpresa – em razão disso, pois acredito, como já disse alhures, que o viés belicoso da sociedade estadunidense é praticamente imutável. E Obama é parte disso, claro.

bluejacket.com

Pois bem, realizando essa pesquisa, me deparei com um artigo assinado por Charlie Savage, do Boston Globe, aliás o ganhador do Prêmio Pulitzer de 2007 (em inglês) na categoria “reportagem nacional”, pela cobertura do uso, por George W. Bush, de “declarações assinadas” (signing statements). Em miúdos: ele simplesmente se julgava no direito de colocar, nas leis aprovadas pela Casa Legislativa norte-americana, quando de sua sanção, o indicativo da interpretação que seria adotada pelo Poder Executivo e de como a norma seria aplicada. Isso lhe garantiu a abertura de um flanco para ignorar ou modificar o idéario e a própria letra da lei, desprezando o que foi regularmente aprovado pelo Congresso. Ou seja, um descalabro.

O artigo que aqui interessa, escrito para o The New York Times,  trata exatamente da continuidade, pelo governo Obama/Biden, de boa parte da política praticada por Bush contra o que consideram eles “terrorismo”.

É evidente que Obama e seu staff adotam tais posições de forma um tanto velada, em cerimônias pouco concorridas (como a dizer, enquanto a Pátria-Mãe dorme, tão distraída), decerto para não colocar em xeque seu esforço midiático de evidenciar que Continue lendo ‘Só mudam as moscas…’

14
fev
09

Graúna (ou Iraúna-grande)

Tínhamos em casa, lá pelo final dos 70’s, a revista do saudoso Henfil que continha esse quadrinho.

O seu significado é ímpar.

Naquele momento, caminhávamos – não a passos largos – para o final dos tristes anos de chumbo a que foi submetido o país.

E, de muitos modos, lutávamos para encurtar essa trilha, para acabar de vez com o regime que, claramente, dava sinais de agonia.

Às claras – mas nem tanto -, panfletávamos, um tanto ressabiados e amedrontados.

Às escondidas, reuníamos.

O que mais importava era a busca pela liberdade tolhida.

Este post é uma homenagem às pessoas que viveram aqueles momentos e que contribuíram, indiscutível e decisivamente, para a redemocratização.

grauna

Henfil

10
fev
09

Coffea arabica

A cabo-verdiana Cesária Évora aguardou praticamente 50 anos para que o mundo a descobrisse. E seu reconhecimento se deu interpretando dois gêneros típicos da República de Cabo Verde, a “morna” e a “coladeira“, num – pode-se dizer – português, conhecido como “crioulo cabo-verdiano“.

Mas aqui ela canta, a meu ver, um jazz de altíssimo quilate.

De uma forma que me lembra One for My Baby (and One More for the Road), com Frank Sinatra (há um vídeo clássico, com “A Voz” cantando num balcão de bar).

Black Coffee (Música de Sonny Burke – Letra de Paul Francis Webster)

I’m feelin’ mighty lonesome
Haven’t slept a wink
I walk the floor an’ watch the door
In between I drink
Black coffee …

Love’s a hand-me-down brew
I’ll never know a Sunday
In this weekday room.

Been talkin’ to the shadows
One o’clock ‘til four
An’ Lord how slow the moments go
When all ya do is pour
Black coffee …

Since the blues caught my eye
I’m hangin’ out on Monday
My Sunday dreams to dry.

You know a man is born to love a woman
To work and slave to pay her debts
Just because he’s only human
To drown his past regrets
In coffee and cigarettes.

I’m moonin’ all the mornin’
Mournin’ all the night
In between it’s nicotine
Not much heart to fight
Black coffee …

Feelin’ low as the ground
I’m waitin’ for my baby
To maybe come around.

Gonna drown my past regrets
In some coffee and a few cigarettes.

I’m moonin’ all the mornin’
Mournin’ all the night
In between it’s nicotine
And not much heart to fight
Black coffee …

Feeling low as the ground
It’s driving me crazy!
Just waitin’ for my baby
To maybe come around.
Please come around
Please come …
“.

Leiam aqui sobre essa bebida.

04
fev
09

4 de fevereiro de 2009

Encontro-me neste momento no trabalho, às voltas com as demandas judiciais que assolam este Estado federado. Estou quase louco com a quantidade de ações. Elas simplesmente pululam.

Toca o meu celular e, pela identificação, verifico que se trata de minha (querida) cunhada Rita. “Que bom!”, penso. Afinal, trata-se de um alento, uma pausa. Ela diz:

– “João, você pode falar agora?

– “Sim, querida, claro!” – respondi. E ela:

– “Você viu hoje o blog do Mino?“. E eu:

– “Não. Por que?

– “Ele está se despedindo do blog, de quase tudo o que faz. Não vai mais escrever porque está totalmente desiludido com tudo no país” – falou ela, sinceramente pesarosa. E acrescentou: “João, tá muito bonito o que o Mino escreveu. Mas é muito triste…“.

Esse o nosso breve diálogo. Imediatamente fui para o blog do Mino e li, também emocionado, o que representa o último post desse bravo homem, que não se curva, não esmorece e não se amedronta.

É praticamente certo (para não dizer totalmente certo) que Mino Carta não lerá este post. Mas não importa. Gostaria apenas que soubesse, por este caminho (e de aqui registrar), que ele deixa para o futuro, sim, muito mais do que “uma única, escassa linha” da sua a escrita. Não há dúvida, portanto, que ele conferiu, sim, muito mais do que “um mínimo de importância” à sua profissão.

Ele deixa um exemplo de conduta.

Com o encerramento do seu blog, perdemos todos, mas perde em especial o Jornalismo (assim mesmo, com “JOTA” maiúsculo). E o Brasil.

Espero que essa desilusão, que esse ferida cicatrize em breve. E que sua voz permaneça em CartaCapital.

Estou enlutado. E por mais 3 dias assim ficarei.

03
fev
09

Campos de algodão

Meu irmão espiritual Edu Pedrasse (tomo dele o epíteto com o qual me honrou, no seu postMi sueño“) me concedeu o privilégio de ler o excelente “Verdade Tropical”, de Caetano Veloso.

Independentemente das celeumas originadas em face da personalidade de Caetano, é indiscutível que o livro é excepcional.

A sua capa:

 Aprendi muito com ele. Em especial sobre canções compostas sob a influência da “Tropicália”. Muitas delas, após a leitura, eram ouvidas. E mais corretamente compreendidas, em especial porque o movimento tropicalista prima pela complexidade.

É certo que este blog vai cuidar desse livro novamente. Mas, agora, interessa relatar o seguinte: Caetano conta que, durante grande parte desse período, ouvia Mahalia Jackson (mais dados em inglês), uma das maiores cantoras norte-americanas de gospel, spirituals e hymns (hinos). Mas “é” o gospel, com todas as suas influências do jazz e blues.

Nada a ver com a mercancia que envolve essa música, no Brasil ou no mundo, tratada como algo descartável.

Defronte a 250.000 pessoas, cantou “I’ve Been ‘Buked, and I’ve Been Scorned“, no mesmo dia em que Martin Luther King, líder estadunidense pelos direitos civis, fez o seu inesquecível discurso “I have a dream“, em Washington (1963).

A dama cantou aos pés do jazigo de Martin, que fôra brutalmente assassinado.

E, quando ela se foi, cerca de 50.000 pessoas compareceram nas cerimônias do seu passamento.

Há muitos discos dessa diva no mercado (tenho a sorte de possuir vários). Destaco, especialmente, uma coletânea que abrange, de um modo geral, a sua carreira.

A capa do disco (são 36 canções):

Gospels, Spirituals & Hymns

Incrível.

E quando estive em New Orleans, adquiri, na loja da Virgin, o vol. 2, completando, assim, essa coletânea. Mais 36 maravilhas:

Gospels, Spirituals, & Hymns, Vol. 2

Pinço do vol. 1 a letra de “Didn’t it Rain” (arranged by R. Martin) (vol. 1):

Didn’t it rain, children
Talk ‘bout rain, oh, my Lord
Didn’t it, didn’t it, didn’t it oh my Lord
Didn’t it rain?

Didn’t it rain, children
Talk ‘bout rain, oh, my Lord
Didn’t it, didn’t it, didn’t it, oh my Lord
Didn’t it rain?

It rained 40 days, 40 nights without stopping
Noah was glad when the rain stopped dropping
Knock at the window, a knock at the door
Crying brother Noah can’t you take on more
Noah cried no, you’re full of sin
God got the key and you can’t get in

Just listen how it’s rainin’
Will you listen how it’s rainin’
Just listen, how it’s rainin’
All day, all night
All night, all day

Just listen how it’s rainin’
Just listen how it’s rainin’
Just listen how it’s rainin’

Some moaning, some groaning
Some groaning, some praying
Well, a whole
Didn’t it rain till dawn
Rain on my Lord

Didn’t it, didn’t it
Didn’t it, oh
Oh, my Lord
Didn’t it rain

Ooh, God sent a raven to spread the news
To hoist his wings and away he flew
And to the north, and to the south
And to the east, and to the west
All day, all night, all night, all day

Well just listen how it’s rainin’
Well just listen how it’s rainin’
Oh, listen how it’s rainin’

Some prayin’, some cryin’
Some runnin’, some moanin’
Will you listen how it’s rainin’
Just listen how it’s rainin’
Just listen how it’s rainin’

Didn’t it rain, children
Rain on my Lord
Didn’t it, didn’t it, didn’t it, oh
Oh, my Lord, didn’t it rain
Rain, rain, rain, rain, rain
“.

Ouçam a canção. Fenomenal:




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