Arquivo para janeiro \31\UTC 2009

31
jan
09

Lilly Ledbetter

Como pode ser percebido pelo conteúdo de alguns posts este blog, não é fácil para mim crer que o governo Barack Obama, por assim dizer, traga muitas mudanças de postura, necessárias ao governo estadunidense. Algumas perguntas: além de cerrar as portas da prisão de Guantánamo, devolvará aquele território a Cuba? E  mais: “levantará” o embargo imposto à Ilha? Permanecerá com o apoio irrestrito a Israel?

Mas sou obrigado a confessar que estou um pouco surpreso com Obama.

Foi excepcional a derrubada de um dispositivo que vetava a todas as organizações não governamentais o financiamento do Estado para a prática de abortos ou o fornecimento de serviços relacionados à interrupção da gravidez fora dos Estados Unidos (o Vaticano, por conta disso, conferiu a Obama a pecha de arrogante). Mas falarei sobre o tema no blog, mais adiante.

Hoje é dia de Lilly Ledbetter.

O presidente assinou, em 29/1, sua primeira lei desde que assumiu o cargo, concedendo uma vitória aos direitos trabalhistas da mulher ao reverter – isso mesmo, reverter – uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de 2007 que tornava mais difícil processar uma empresa por discriminação salarial. A projeto convertido em lei recebeu o nome de “Ato de Pagamento Igual Lilly Ledbetter“.

Obama é quem fala: “É muito simbólico que o primeiro projeto de lei que assino fale de um dos princípios fundadores deste país; que somos todos iguais e que cada um pode perseguir a sua própria versão de felicidade“, complementando que “Estas palavras escritas em um papel há 200 anos indicam o entendimento moral que temos que ter atualmente“.

É bom lembrar que a questão “igualdade salarial” foi um tema considerado delicado durante a campanha presidencial de 2008, principalmente entre os sindicatos trabalhistas e as mulheres eleitoras. Segundo consta, em média, mulheres norte-americanas recebem um salário cerca de 23% menor do que o homem, enquanto uma minoria feminina recebe ainda menos.

Assinar este projeto de lei hoje envia uma clara mensagem, a de que fazer a nossa economia funcionar significa garantir que ela funcione para todos, que não existam cidadãos de segunda classe no local de trabalho“, disse Obama, que, ao assinar a lei, entregou a caneta a Ledbetter.

Ledbetter é uma mulher do Alabama que descobriu, após 19 anos trabalhando como supervisora para a fábrica de pneus Goodyear Tire & Rubber Co, que estava recebendo um salário abaixo do piso, mesmo tendo mais experiência que alguns homens colegas de trabalho. Perdeu, durante o período, cerca de U$ 200 mil, afora reflexos em benefícios.

Num primeiro momento, um júri concluiu que ela foi vítima de discriminação. Todavia, durante a administração Bush, a Suprema Corte reverteu a decisão (5 votos a 4), alegando que a acusação de discriminação deve ser apresentada num prazo de 180 dias da primeira ofensa. Ou seja, entendeu prescritível algo que moralmente impõe a imprescrição.

Nem é preciso dizer que alguns membros da oposição republicana (e John McCain, durante a campanha) declararam que o ato pode levar a uma enxurrada de medidas judiciais e a ressurreição de velhos processos. Crêem que isso agravará os efeitos da crise econômica e levará empregadores a deixar de contratar mulheres. Melhor dizendo: descaradamente, confessam a discriminação e utilizam a crise econômica (causada por eles, lembremos) contra a Lei.

Quanto à possibilidade da lei possuir efeitos retroativos, a própria Lilly diz não acreditar que isso ocorra.

A Goodyear nunca terá de me pagar pelo que me tirou. Eu nunca verei um centavo sequer da meu processo“. E continuou: “Mas, com a aprovação da lei e a assinatura do presidente hoje, tive uma recompensa ainda maior: sei que minhas filhas e netas e suas filhas e netas terão uma oportunidade melhor“.

(Abro um parêntese: no Brasil, a diferença nos ganhos de uma mulher e de um homem continua grande, segundo indicou o índice de desigualdade entre os sexos, publicado pelo Fórum Mundial de Economia, em 12/11/2008.

No país, o salário de uma mulher é, em média, 58% do que ganha um homem. É só fazer as contas; a diferença é um abismo.

Por isso, nosso Brasil está numa péssima posição no ranking de igualdade nos rendimentos: de 130 nações, o país está em 100º. E aqui fecho o parêntese).

Assistam o vídeo:

A íntegra do discurso (do blog da Casa Branca):

REMARKS BY THE PRESIDENT
UPON SIGNING THE LILLY LEDBETTER BILL
East Room
January 29, 2009
10:20 A.M. EST

THE PRESIDENT: All right. Everybody please have a seat. Well, this is a wonderful day. (Applause.) First of all, it is fitting that the very first bill that I sign — the Lilly Ledbetter Fair Pay Restoration Act — (applause) — that it is upholding one of this nation’s founding principles: that we are all created equal, and each deserve a chance to pursue our own version of happiness.

 

It’s also fitting that we’re joined today by the woman after whom this bill is named — someone who Michelle and I have had the privilege to get to know ourselves. And it is fitting that we are joined this morning by the first woman Speaker of the House of Representatives, Nancy Pelosi. (Applause.) It’s appropriate that this is the first bill we do together. We could not have done it without her. Madam Speaker, thank you for your extraordinary work. And to all the sponsors and members of Congress and leadership who helped to make this day possible.

Lilly Ledbetter did not set out to be a trailblazer or a household name. She was just a good hard worker who did her job — and she did it well — for nearly two decades before discovering that for years, she was paid less than her male colleagues for doing the very same work. Over the course of her career, she lost more than $200,000 in salary, and even more in pension and Social Security benefits — losses that she still feels today.

Now, Lilly could have accepted her lot and moved on. She could have decided that it wasn’t worth the hassle and the harassment that would inevitably come with speaking up for what she deserved. But instead, she decided that there was a principle at stake, something worth fighting for. So she set out on a journey that would take more than ten years, take her all the way to the Supreme Court of the United States, and lead to this day and this bill which will help others get the justice that she was denied.

Because while this bill bears her name, Lilly knows that this story isn’t just about her. It’s the story of women across this country still earning just 78 cents for every dollar men earn — women of color even less — which means that today, in the year 2009, countless women are still losing thousands of dollars in salary, income and retirement savings over the course of a lifetime.

Equal pay is by no means just a women’s issue — it’s a family issue. It’s about parents who find themselves with less money for tuition and child care; couples who wind up with less to retire on; households where one breadwinner is paid less than she deserves; that’s the difference between affording the mortgage — or not; between keeping the heat on, or paying the doctor bills — or not. And in this economy, when so many folks are already working harder for less and struggling to get by, the last thing they can afford is losing part of each month’s paycheck to simple and plain discrimination.

So signing this bill today is to send a clear message: that making our economy work means making sure it works for everybody; that there are no second-class citizens in our workplaces; and that it’s not just unfair and illegal, it’s bad for business to pay somebody less because of their gender or their age or their race or their ethnicity, religion or disability; and that justice isn’t about some abstract legal theory, or footnote in a casebook. It’s about how our laws affect the daily lives and the daily realities of people: their ability to make a living and care for their families and achieve their goals.

Ultimately, equal pay isn’t just an economic issue for millions of Americans and their families, it’s a question of who we are — and whether we’re truly living up to our fundamental ideals; whether we’ll do our part, as generations before us, to ensure those words put on paper some 200 years ago really mean something — to breathe new life into them with a more enlightened understanding that is appropriate for our time.

That is what Lilly Ledbetter challenged us to do. And today, I sign this bill not just in her honor, but in the honor of those who came before — women like my grandmother, who worked in a bank all her life, and even after she hit that glass ceiling, kept getting up and giving her best every day, without complaint, because she wanted something better for me and my sister.

And I sign this bill for my daughters, and all those who will come after us, because I want them to grow up in a nation that values their contributions, where there are no limits to their dreams and they have opportunities their mothers and grandmothers never could have imagined.

In the end, that’s why Lilly stayed the course. She knew it was too late for her — that this bill wouldn’t undo the years of injustice she faced or restore the earnings she was denied. But this grandmother from Alabama kept on fighting, because she was thinking about the next generation. It’s what we’ve always done in America — set our sights high for ourselves, but even higher for our children and our grandchildren.

And now it’s up to us to continue this work. This bill is an important step — a simple fix to ensure fundamental fairness for American workers — and I want to thank this remarkable and bipartisan group of legislators who worked so hard to get it passed. And I want to thank all the advocates who are in the audience who worked so hard to get it passed. This is only the beginning. I know that if we stay focused, as Lilly did — and keep standing for what’s right, as Lilly did — we will close that pay gap and we will make sure that our daughters have the same rights, the same chances, and the same freedoms to pursue their dreams as our sons.

So thank you, Lilly Ledbetter (Applause.)

(The bill is signed.) (Applause.)“.

25
jan
09

Zapatadas

Pedro Méndez

Periódico Vanguardia, Santa Clara, Cuba

22
jan
09

Parece que sim…

Fonte do governo afirma que Obama assinará ordem de fechamento de Guantánamo

WASHINGTON, 22 Jan 2009, 6h20 (AFP) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinará nesta quinta-feira uma ordem executiva para o fechamento da prisão de Guantánamo (Cuba), afirmou uma fonte da Casa Branca que pediu anonimato.

O novo presidente se comprometeu a fechar o polêmico campo de detenção durante a campanha eleitoral.

“O centro de detenção de Guantánamo objeto desta ordem será fechado o mais rápido possível e, no mais tardar, no prazo de um ano a partir da data da ordem”, afirma o rascunho da ordem executiva, divulgado no site da associação American Civil Liberties Union e confirmado pela fonte da Casa Branca.

O rascunho indica, sem apresentar mais detalhes, que serão usados “meios legais” para tratar os detentos que não possam ser transferidos para outros países ou julgados em tribunais americanos.

A notícia do projeto foi revelada um dia depois de Obama pedir a suspensão durante 120 dias dos julgamentos que acontecem em Guantánamo, com o objetivo de permitir a revisãp das políticas e condições de detenção na prisão.

A prisão de Guantánamo foi aberta em 2002, como parte da “guerra contra o terrorismo” iniciada pelo governo de George W. Bush depois dos atentados de Nova York e Washington.

Os tribunais de exceção foram criados em 2006 e atualmente são responsáveis por 21 casos, 14 deles já atribuídos a um juiz, em um total de 245 detentos, de acordo com dados do Pentágono.

21
jan
09

O começo?

Dias atrás o postSerá?” tratou de notícia que abordava a provável ordem de Barack Obama (uma de suas primeiras após ser empossado como o 44º presidente dos EUA), de fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba.

Pois bem. Não foi isso o que se deu.

Mas talvez tenha iniciado essa caminhada ao determinar, segundo informado pelo UOL, a suspensão temporária, por 120 dias, de julgamentos militares de cinco acusados de terrorismo (teriam ligações com os atentados de 11/9/2001).

Assim, nesta manhã úmida, tipicamente paulistana, a primeira grande nova envolvendo o governo Obama ainda não foi dada.

Fiquemos atentos aos próximos passos.

17
jan
09

O mundo em guerra

WW2Montage.PNG

Está chegando ao final coleção publicada pela “Abril Coleções”, intitulada Battlefield (riquíssimos detalhes em inglês).

Assisti a uma boa parte da série a partir da metade dos 90’s, quando um canal da TV fechada a exibia com regularidade, em dia e horário certos.

A coleção da Abril, formada inicialmente por 18 DVDs e depois ampliada para 24 (todos contam inclusive com um dossiê impresso, específico para cada um deles), é composta por documentários que permitem ver, em imagens reais, um rol das principais batalhas da 2ª Guerra Mundial com dados muito completos, a exemplo de informações sobre armas utilizadas, o perfil dos líderes envolvidos, imagens e infográficos acerca da ação e movimento das tropas.

As narrações são indefectíveis.

Os DVDs:

1. Batalha da França

2. Batalha da Grã-Bretanha

3. Batalha do Atlântico

4. Guerra aérea sobre a Alemanha

5. Batalha da Rússia

6. Cerco a Leningrado

7. Pearl Harbor

8. Batalha de Midway

9. Batalha de Stalingrado

10. Batalha de Guadalcanal

11. Batalha do Norte da África

12. Batalha de Kursk Continue lendo ‘O mundo em guerra’

15
jan
09

A nata. O creme.

Nesta quinta-feira iluminada, quero oferecer a vocês Jazz. Puro Jazz.

Alberta Hunter (em inglês. Desculpem, mas em português é ridículo) faz grande falta.

A capa de “Amtrak Blues“:

O Disco:

1. The Darktown Strutters’ Ball
2. Nobody Knows You When You’re Down and Out
3. I’ve Having a Good Time
4. Always
5. My Handy Man Ain’t Handy No More
6. Amtrak Blues
7. Old Fashioned Love
8. Sweet Georgia Brown
9. A Good Man Is Hard to Find
10. I’ve Got a Mind to Ramble

A letra de “The Darktown Strutters’ Ball“:

I’ll be down to get you in a taxi, honey
Better be ready about half past eight
Now honey, don’t be late
I want to be there when the band starts playing
Remember when we get there, honey
The two-steps, I’m goin’ to have ‘em all
Goin’ to dance out both my shoes
When they play the ‘Jelly Roll Blues’
Tomorrow night at the Darktown Strutters’ Ball…

Ouçam. Sinceramente, é inesquecível.

13
jan
09

Será?

Acabo de ler notícia no UOL (AFP), informando que o próximo presidente norte-americano, Barack Obama, planeja ordenar o fechamento da prisão de Guantánamo em seu primeiro dia de governo.

É dito que o fechamento, entretanto, levará alguns meses, pois há questões burocráticas e logísiticas a se resolver. O que é algo razoável, sem dúvida.

Penso que tal medida, se efetivamente se der, já apontará para um diferencial positivo indiscutível do próximo governo estadunidense (que, infelizmente, não perde seu viés belicoso, em especial porque, tudo indica, mandará um enorme contingente de soldados para o Afeganistão).

O que seria inesquecível é o momento “captado” por Raúl Castro, imaginando um histórico encontro entre ele e Obama, em Cuba, conforme retratado em entrevista concedida a Sean Penn: “Nós devemos nos encontrar e começar a resolver nossos problemas e, no fim do encontro, poderíamos dar um presente ao presidente…poderíamos levá-lo para casa com a bandeira dos EUA que tremula na baía de Guantánamo“. Sem dúvida, tal seria um dos maiores acontecimentos internacionais da primeira década deste século.

Mas, como gato escaldado tem medo de água fria, é ver para crer.




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