Posts Tagged ‘Anos 70

28
set
09

Após 138 anos da Lei do Ventre Livre…

armazemperisc.blogspot.com

Aqui, breves informações sobre a Lei do Ventre Livre.

© Cartas de Tiro

16
jul
09

Brasil visceral

puc-rio.br

08
jul
09

Estão cravadas!

Trata-se de uma linda letra.

Uma situação tão corriqueira na seara do amor.

Dos Cruces (Carmelo Larrea)

Sevilla tuvo que ser
Con su lunita plateada
Testigo de nuestro amor
Bajo la noche callada
Y nos quisimos tu y yo
Con un amor sin pecado
Pero el destino ha querido
Que vivamos separados

Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muertos
Sin haberse comprendido
Estan clavadas dos cruces
En el monte del olvido
Por dos amores que han muertos
Qui son el tuyo y el mio

Oh! Valle de Santa Cruz
Oh! Puerto de Doña Elvira
Os vuelvo yo a recordar
Y me parece mentira
Ya todo aquello pasó
Todo quedó en el olvido
Nuestra promesas de amores
En el aire se han
perdido“.

Milton Nascimento, no soberbo “Clube da Esquina” (o nº 1, 1971), fez uma interpretação inesquecível.

Um vídeo com o trespontano (que toma cores de um verdadeiro flamenco), com a participação do seu conterrâneo Wagner Tiso:

19
jun
09

Nesta data, em 1944

Hoje faz 65 anos que Chico Buarque de Hollanda veio ao mundo.

Trata-se de um gênio.

Aqui, uma de suas mais belas canções, composta em parceria com Ruy Guerra: “Fado Tropical”, do disco “Chico Canta” (1973). Os “versos” são magistralmente declamados por Ruy.

A mensagem do que ainda não aconteceu – infelizmente.

Capa original do disco

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril

Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

‘Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo (além da sífilis, é claro)*
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…’

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

‘Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa’

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial
“.

*Trecho original, vetado pela censura.

E, aqui, uma ótima análise da canção.

11
jun
09

Já vi esse filme

Essa “tira” foi feita em 1976.

Reavivemos a memória:

“A gripe suína já esteve estampada nas páginas dos jornais brasileiros e foi motivo de charge de cartunistas como o saudoso Henfil. Isso foi há 33 anos, em 1976, quando ocorreu um surto da doença nos Estados Unidos. Lá, 40 milhões de pessoas chegaram a ser vacinadas. Por aqui, felizmente, nada aconteceu. Mesmo assim, a população brasileira vivia uma situação parecida com a de agora, com medo de que a temida gripe chegasse no país.

O medo da gripe suína inspirou o cartunista Henfil – Henrique de Souza Filho – a fazer uma charge sobre o assunto. Nela, o personagem Fradinho solta um espirro, deixando em pânico pessoas que passavam perto dele. A charge foi publicada no Almanaque Fradinho número 10. Antenado com os acontecimentos, Henfil, que colaborou Continue lendo ‘Já vi esse filme’

05
jun
09

Auto-Retrato

Alucinação (Belchior)

 

Eu não estou interessado em nenhuma teoria

Em nenhuma fantasia, nem no algo mais

Nem em tinta pro meu rosto ou oba-oba ou melodia

Para acompanhar bocejos, sonhos matinais

Eu não estou interessado em nenhuma teoria

Nem nessas coisas do Oriente

Romances astrais

A minha alucinação é suportar o dia-a-dia

E meu delírio é a experiência com coisas reais

 

Um preto/um pobre/um estudante/uma mulher sozinha/

Blue jeans e motocicletas/pessoas cinzas normais/

Garotas dentro da noite/revólver: ‘cheira cachorro’

Os humilhados do parque com os seus jornais/

Carneiros/mesa/trabalho/meu corpo que cai do oitavo andar/

A solidão das pessoas nessas capitais/

A violência da noite/o movimento do tráfego/

Um rapaz delicado e alegre que canta e requebra/É demais?/

Cravos/espinhos no rosto/rock/hot dog/play it cool, baby

Doze jovens coloridos…

Dois policiais cumprindo o seu duro dever

E defendendo o seu, amor. É nossa vida

Cumprindo o seu duro dever e defendendo o seu, amor

Eh, nossa vida

  

Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria

 

Em nenhuma fantasia, nem no algo mais

Longe o profeta do terror que a laranja mecânica anuncia

Amar e mudar as coisas me interessa mais“.

 

© Cartas de Tiro

24
mai
09

Execução de inocentes

Há anos atrás, no bom e velho “Cine Bijou”, cinema que funcionava no centro da Paulicéia, assisti a um filme que me marcaria definitivamente dali até esta parte: “Sacco & Vanzetti” (a película estava, àquela altura, proibida no país pelos senhores do golpe militar de 1964).

É certo que noutro momento pode-se discutir acerca do anticomunismo visceral que assolava os EUA dos anos 20 e que levou os dois imigrantes italianos mencionados à morte na cadeira elétrica, o que se constituiu num dos mais evidenciados erros judiciais do século XX. A acusação: duplo homicídio. O “crime cometido”, na realidade: o fato de serem anarquistas.

Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti

Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti

Em 24 de maio de 1921 (há exatos 88 anos), o julgamento de ambos teve início. Já em 14 de julho do mesmo ano foram condenados à pena capital, num processo marcado com as digitais da farsa. Depois de longos e torturantes anos, precisamente na madrugada do dia 22 para 23 de agosto de 1927, a sentença foi definitivamente aplicada, mesmo diante dos milhares que foram às ruas de todo o mundo protestarem pela anulação da sentença, durante esses seis anos.

É muito interessante verificar o que dizia a “Folha da Manhã” do dia 22/8/1927.

Uma história para não se esquecer.

Por ora, o que mais interessa, creio, é a indicação para que todos vejam essa preciosidade – está disponível em DVD para locação (mas, parece, fora de catálogo para aquisição), em edição histórica repleta de extras (tenho um exemplar, claro) –, verdadeiro marco do cinema político italiano da década de 70, dirigido por Giuliano Montaldo. O elenco: Gian Maria Volonté, Ricardo Cucciolla (vencedor do prêmio de melhor ator em 1971, em Cannes) e Rosanna Fratello. A canção, digamos principal, é interpretada por Joan Baez, com trilha sonora composta por ninguém menos do que Ennio Morricone.

É muita competência junta.

Filme imperdível.

Capa do DVD

22
mai
09

Zé Rodrix, num show com Tavito

Blue Riviera (Zé Rodrix/Luiz Carlos Sá e Guarabyra) – Terra – 1973

A gente já era uma barra no tempo do rock no blue riviera
A gente já era, no tempo blue riviera
Você com seu rabinho de cavalo, me contando que a sua mãe
Não lhe deixava sair
Na garupa da lambreta pra dançar no blue riviera
A gente sacudia os ossos no tempo do rock do blue riviera
A gente sacudia, no rock do blue riviera
Com toda essa moçada da pesada que hoje está com 30 anos ou mais
E já não deixa cair
Como no tempo da lambreta sem saia no blue riviera
Eu digo blue riviera, blue riviera, nos meus olhos e ouvidos
Da sala enfumaçada pr’onde foram meus amigos queridos
Eu digo blue riviera, blue riviera, o pão, a carne, o sangue, o vinho
No meio das lembranças do passado eu não estou sozinho…
“.

21
mai
09

Sempre ele…

Henfil

26
abr
09

Jornaleco

A “Folha de São Paulo”, se não bastasse não ceder em fazer jornalismo de qualidade duvidosa, ainda por cima atua com evidente má-fé e em desrespeito aos “freios e contrapesos” que devem pautar a ação dos veículos de imprensa.

Na sua edição dominical (provavelmente o dia de maior vendagem) de 5/4/2009 estampou, no alto esquerdo de sua primeira página, uma foto do que seria a ficha da polícia política da época da ditadura relativa à ministra Dilma Rousseff, associando-a a um plano de sequestro do então ministro da Fazenda Delfim Netto.

FSP - 5/4/2009

Os dias que se seguiram foram de desmentidos que partiram principalmente da própria ministra Dilma, que chegou inclusive a apontar que a ficha publicada era fruto de grosseira manipulação.

Pois bem, a mesma Folha, na edição de 25/4/2009, um sábado (por que não no domingo?), se “retrata”, reconhecendo o “equívoco”. Equívoco imperdoável, pois a vida de um veículo de comunicação está intimamente ligada à checagem de informações, fontes etc., tudo com o fim de retratar a verdade fática. Mas esse jornal, assim como outros veículos da imprensa marrom nacional, como aliás já tratado neste blog, não se esmera e, pelo visto, não se preocupa com isso. Ou seja, primeiro atira; depois pergunta quem é.

Um descalabro.

Na edição de hoje, domingo, 26/4/2009, o ombudsman do jornal, muito timidamente, diz:

ANTIGOS DOCUMENTOS DE BUSH E DILMA

Dois meses antes da eleição presidencial americana de 2004, a rede de TV CBS exibiu reportagem do respeitadíssimo jornalista Dan Rather sobre documentos comprometedores de quando George W. Bush, candidato à reeleição, fazia serviço militar.

A CBS não comprovou a autenticidade dos papéis, depois confirmados como fraudulentos. Ela e Rather foram acusados de tentar influir no pleito. Tudo indica que não houve má-fé. Mas a credibilidade de ambos saiu abalada.

A já complicada reportagem da Folha sobre a atuação de Dilma Rousseff durante Continue lendo ‘Jornaleco’

25
mar
09

João Cândido Felisberto

Dia desses, antes de um curto – mas, creio, merecido – recesso, quando aportei em Fortaleza/CE, novamente minha querida cunhada Rita, por telefone, me deu conta de um lindo artigo postado há algum tempo por Rodrigo Vianna, no seu blog “Escrevinhador”, acerca de João Cândido, um marinheiro que, em 1910, comandou a famosa “Revolta da Chibata“, movimento de resistência que se opôs à continuidade da aplicação de castigos físicos impostos pela nossa Marinha. A regra: “Para as faltas leves, prisão e ferro na solitária, a pão e água; faltas leves repetidas, idem idem por seis dias; faltas graves 25 chibatadas”.

Pelo artigo tomei conhecimento que o grande letrista Aldir Blanc contou a história desse verdadeiro herói nacional (que foi homenageado por Lula com uma estátua), em mais uma brilhante parceria com João Bosco, por intermédio da canção “O Mestre-Sala dos Mares”.

E ali soube mais: a letra original foi devidamente censurada pela soldadesca que tomou por golpe o Estado brasileiro, em 1964.

Realmente um post de finíssimo conteúdo, que vale a pena ser lido e pelo qual rendo minhas homenagens a Rodrigo Vianna. Aqui, a sua íntegra.

Um vídeo, que conta com a indelével interpretação musical de João Bosco:

14
fev
09

Graúna (ou Iraúna-grande)

Tínhamos em casa, lá pelo final dos 70′s, a revista do saudoso Henfil que continha esse quadrinho.

O seu significado é ímpar.

Naquele momento, caminhávamos – não a passos largos – para o final dos tristes anos de chumbo a que foi submetido o país.

E, de muitos modos, lutávamos para encurtar essa trilha, para acabar de vez com o regime que, claramente, dava sinais de agonia.

Às claras – mas nem tanto -, panfletávamos, um tanto ressabiados e amedrontados.

Às escondidas, reuníamos.

O que mais importava era a busca pela liberdade tolhida.

Este post é uma homenagem às pessoas que viveram aqueles momentos e que contribuíram, indiscutível e decisivamente, para a redemocratização.

grauna

Henfil




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