Eu poderia até supor que esse post é uma provocação…(rs)Não resisto.
Desde que conheço a obra de Saramago, sempre o admirei pela ousadia linguística e pela coragem de se expor. Claro, claríssimo que ele adora ser centro desse tipo de polêmica. Ele atiça a imprensa,e no calor da discussão fala bobagens das quais não pode mais se safar.E ganha o centro do palco.
Porém, seu alvo não é Deus, é a igreja.Qual seria o melhor modo de atingi-la? Óbvio… É aí que mora o perigo.Ele extrapola no que diz, menos no que escreve, porque a um autor é permitido tudo no campo da ficção. Vide Dan Brawn e o sucesso da saga ” Código da Vinci”.Ao leitor cabe ler, mastigar , deglutir e selecionar o que fica.
Fé é algo inexplicável, intangível e nenhum Saramago vai abalar isso. Mas, no tocante à obra literária, sem dúvida, ele acrescenta muito.
Segue um complemento do G1:http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1340986-7084,00.html
Na verdade, anunciei a você, via twitter, que iria postar a capa da “Time”, capa classificada por Eugênio Bucci (no artigo que indiquei no meu 1º comentário ao teu “Caim”) – classificação com a qual concordo, a propósito – como histórica. Histórica decerto que independentemente de contéudo da matéria (que não li, claro); mas histórica por tudo o que ela representa ainda hoje – e ontem, e sempre. Afora que a acho belíssima.
Confesso a você, provavelmente por conhecer pouquíssimo a obra de Saramago, que sempre entendi que o nosso José questionava mesmo era a existência de Deus. Aliás, no mencionado artigo de Eugênio Bucci, assim estão colocadas as palavras do autor português: “Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele creem. Pessoalmente, não tenho nenhuma conta a ajustar com uma entidade que durante a eternidade anterior ao aparecimento do universo nada tinha feito (pelo menos não consta) e que depois decidiu sumir-se não se sabe para onde. O cérebro humano é um grande criador de absurdos. E Deus é o maior deles“. E criticar as religiões era uma decorrrência disso.
Mas você diz – com a propriedade de quem conhece Saramago e sua obra – que ele não quer atingir Deus, mas sim a igreja (com minúscula mesmo). Nunca tinha pensado nisso. Mas, diante do que você diz, estou passando a pensar. E há muita lógica nesse seu pensamento: como dito na matéria da EFE, está-se a falar de um “ex-ateu tranquilo”.
Porque tenho total interesse no assunto, vou procurar, dentro do possível, me aprofundar na “questão Saramago” – e te peço sugestões, desde já, por favor.
Mas, seja como for, discutir e criticar religiões é algo, a meu ver, muito chato; sim, sou um crítico contumaz da igreja que influenciou toda a minha formação de vida. Mas penso que falta tempero e – se for possível dizer isso – uma certa bossa nisso.
Me interessa mais a idéia de discutir – respeitosamente, claro – a existência de Deus. Gosto da pergunta da capa: “Deus está morto?” E mais: Ele “viveu” alguma vez?
Se a resposta estiver atrelada unicamente à fé – e respeito isso, é óbvio – a discussão, me parece, é e será sempre etérea.
Mas me sinto obrigado a encerrar com outra pergunta: será possível questionar a existência de Deus dissociando a discussão da fé?
Muito difícil responder a qualquer coisa.
Você, nem ontem, nem hoje, nem nunca, se excedeu. Para mim é sempre um ganho e um privilégio.
Em primeiro lugar, obrigada : pela atenção , pelo carinho, pela paciência. Que bom ter encontrado por aqui alguém com quem posso “trocar figurinhas premiadas”…
A partir de sua resposta , posso dividir a minha em duas :
1-Deus e a Ciência. Não tenho competência racional para discutir isso.Sinto paz ao acreditar que alguém superior criou a minha vida, que vim dele e para ele voltarei, um dia. Não fosse isso , ficaria muito difícil aceitar os imprevistos negativos eu cortaram a minha existência e não foram escolhidos.Não pode ser “por acaso”.Resumindo : Deus existe dentro de mim, sem explicação.
2- Saramago : quando terminei de ler seu post, fui à minha estante e dei-me conta de que tenho 8 obras dele e não consigo escolher uma. Gosto de todas. Mas três delas me fazem insistir na premissa de que o autor condena a existência de um Deus imaterial, injusto e que pune, retrato do que a igreja prega aos seus fiéis.
Em “ Memorial do Convento” ele narra a criação do convento de Mafra, depois de uma pesquisa histórica de 28 anos.É realidade + ficção, mas é inacreditável perceber como a igreja sacrificou pessoas na construção de um templo que só perde em luxo para o Vaticano.
Em “ Evangelho segundo Jesus Cristo “, ele mostra um Jesus- pessoa comum , com defeitos, qualidades e uma história que poderia ser a de qualquer um de nós. Inclusive que ele vivia em um bordel com Maria Madalena.O Papa jamais engoliria uma história dessas e a igreja , como um todo, idem.
E em “Caim” ele atribui a Deus a culpa intelectual do crime.
Se você olhar para as três obras , verá que todas não discutem Deus, mas o Deus cristão, os rituais da igreja, as pregações da Bíblia, não aquele que está em cada um de nós.
Assim, meu querido João, poderíamos encher páginas inteiras de textos , indagações e, acredito, que tudo ficaria sem resposta , a não ser uma afirmação/pergunta bem simples.
Eu acredito em Deus, e você ?
sem dúvida, creio que não há resposta para indagações sobre essa questão.
Aliás, basta ler a matéria indicada, da Superinteressante, para chegar novamente a essa conclusão.
No que respeita a Saramago – e com o objetivo sincero de podermos aprofundar a discussão, mesmo que tal se dê num âmbito mais privado – só me resta lê-lo mais, ao menos as 3 obras. Até porque, como já disse, esse assunto, para mim, é um dos que me traz grande interesse (afora a questão de que gosto do autor).
Quanto a sua pergunta final, minha resposta é sim – adotando a linha de pensamento do nº “1″ do seu comentário – aliás, um ótimo comentário, pra variar.
RT @JaniceAscari: RT@cartasdetiro: "#Palmeiras, minha vida é vc! (...)"//Não me conformo c/ apatia e falta de raça// Idem. Isso desmoraliza. 9 hours ago
"#Palmeiras, minha vida é você!" Sempre. Em qualquer circunstância. Força, Verdão! 9 hours ago
"Palmeiras, minha vida é você!" Sempre. Em qualquer circunstância. Força, #Palmeiras! 10 hours ago
Repito: com todo o respeito, aprendemos direitinho o milagre de Lázaro. #Palmeiras10 hours ago
Bom dia, João!
Eu poderia até supor que esse post é uma provocação…(rs)Não resisto.
Desde que conheço a obra de Saramago, sempre o admirei pela ousadia linguística e pela coragem de se expor. Claro, claríssimo que ele adora ser centro desse tipo de polêmica. Ele atiça a imprensa,e no calor da discussão fala bobagens das quais não pode mais se safar.E ganha o centro do palco.
Porém, seu alvo não é Deus, é a igreja.Qual seria o melhor modo de atingi-la? Óbvio… É aí que mora o perigo.Ele extrapola no que diz, menos no que escreve, porque a um autor é permitido tudo no campo da ficção. Vide Dan Brawn e o sucesso da saga ” Código da Vinci”.Ao leitor cabe ler, mastigar , deglutir e selecionar o que fica.
Fé é algo inexplicável, intangível e nenhum Saramago vai abalar isso. Mas, no tocante à obra literária, sem dúvida, ele acrescenta muito.
Segue um complemento do G1:http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1340986-7084,00.html
Bjs. e , desculpe-me se me excedi.
Boa noite, Gizelda!
Na verdade, anunciei a você, via twitter, que iria postar a capa da “Time”, capa classificada por Eugênio Bucci (no artigo que indiquei no meu 1º comentário ao teu “Caim”) – classificação com a qual concordo, a propósito – como histórica. Histórica decerto que independentemente de contéudo da matéria (que não li, claro); mas histórica por tudo o que ela representa ainda hoje – e ontem, e sempre. Afora que a acho belíssima.
Confesso a você, provavelmente por conhecer pouquíssimo a obra de Saramago, que sempre entendi que o nosso José questionava mesmo era a existência de Deus. Aliás, no mencionado artigo de Eugênio Bucci, assim estão colocadas as palavras do autor português: “Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele creem. Pessoalmente, não tenho nenhuma conta a ajustar com uma entidade que durante a eternidade anterior ao aparecimento do universo nada tinha feito (pelo menos não consta) e que depois decidiu sumir-se não se sabe para onde. O cérebro humano é um grande criador de absurdos. E Deus é o maior deles“. E criticar as religiões era uma decorrrência disso.
Mas você diz – com a propriedade de quem conhece Saramago e sua obra – que ele não quer atingir Deus, mas sim a igreja (com minúscula mesmo). Nunca tinha pensado nisso. Mas, diante do que você diz, estou passando a pensar. E há muita lógica nesse seu pensamento: como dito na matéria da EFE, está-se a falar de um “ex-ateu tranquilo”.
Porque tenho total interesse no assunto, vou procurar, dentro do possível, me aprofundar na “questão Saramago” – e te peço sugestões, desde já, por favor.
Mas, seja como for, discutir e criticar religiões é algo, a meu ver, muito chato; sim, sou um crítico contumaz da igreja que influenciou toda a minha formação de vida. Mas penso que falta tempero e – se for possível dizer isso – uma certa bossa nisso.
Me interessa mais a idéia de discutir – respeitosamente, claro – a existência de Deus. Gosto da pergunta da capa: “Deus está morto?” E mais: Ele “viveu” alguma vez?
Se a resposta estiver atrelada unicamente à fé – e respeito isso, é óbvio – a discussão, me parece, é e será sempre etérea.
Mas me sinto obrigado a encerrar com outra pergunta: será possível questionar a existência de Deus dissociando a discussão da fé?
Muito difícil responder a qualquer coisa.
Você, nem ontem, nem hoje, nem nunca, se excedeu. Para mim é sempre um ganho e um privilégio.
Beijão.
Oi, João.
Em primeiro lugar, obrigada : pela atenção , pelo carinho, pela paciência. Que bom ter encontrado por aqui alguém com quem posso “trocar figurinhas premiadas”…
A partir de sua resposta , posso dividir a minha em duas :
1-Deus e a Ciência. Não tenho competência racional para discutir isso.Sinto paz ao acreditar que alguém superior criou a minha vida, que vim dele e para ele voltarei, um dia. Não fosse isso , ficaria muito difícil aceitar os imprevistos negativos eu cortaram a minha existência e não foram escolhidos.Não pode ser “por acaso”.Resumindo : Deus existe dentro de mim, sem explicação.
Sobre isso , a Superinteressante/ junho de 2007- discutiu Os 30 maiores mistérios da Ciência.
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança…. Ou foi a mente humana que criou a figura de Deus?
http://super.abril.com.br/revista/240a/materia_especial_261566.shtml?pagina=1-
2- Saramago : quando terminei de ler seu post, fui à minha estante e dei-me conta de que tenho 8 obras dele e não consigo escolher uma. Gosto de todas. Mas três delas me fazem insistir na premissa de que o autor condena a existência de um Deus imaterial, injusto e que pune, retrato do que a igreja prega aos seus fiéis.
Em “ Memorial do Convento” ele narra a criação do convento de Mafra, depois de uma pesquisa histórica de 28 anos.É realidade + ficção, mas é inacreditável perceber como a igreja sacrificou pessoas na construção de um templo que só perde em luxo para o Vaticano.
Em “ Evangelho segundo Jesus Cristo “, ele mostra um Jesus- pessoa comum , com defeitos, qualidades e uma história que poderia ser a de qualquer um de nós. Inclusive que ele vivia em um bordel com Maria Madalena.O Papa jamais engoliria uma história dessas e a igreja , como um todo, idem.
E em “Caim” ele atribui a Deus a culpa intelectual do crime.
Se você olhar para as três obras , verá que todas não discutem Deus, mas o Deus cristão, os rituais da igreja, as pregações da Bíblia, não aquele que está em cada um de nós.
Assim, meu querido João, poderíamos encher páginas inteiras de textos , indagações e, acredito, que tudo ficaria sem resposta , a não ser uma afirmação/pergunta bem simples.
Eu acredito em Deus, e você ?
Bjs. Bom dia!
Gizelda
sem dúvida, creio que não há resposta para indagações sobre essa questão.
Aliás, basta ler a matéria indicada, da Superinteressante, para chegar novamente a essa conclusão.
No que respeita a Saramago – e com o objetivo sincero de podermos aprofundar a discussão, mesmo que tal se dê num âmbito mais privado – só me resta lê-lo mais, ao menos as 3 obras. Até porque, como já disse, esse assunto, para mim, é um dos que me traz grande interesse (afora a questão de que gosto do autor).
Quanto a sua pergunta final, minha resposta é sim – adotando a linha de pensamento do nº “1″ do seu comentário – aliás, um ótimo comentário, pra variar.
Beijão pra você, querida.