Os acontecimentos indicados neste post não se deram nas câmaras de tortura da prisão de Abu Ghraib, no Iraque, de tão triste lembrança e vergonha aos “libertadores” estadunidenses.
Trata-se de localidade próxima da capital paulista, precisamente em Pirassununga.
Há fortes indícios de que um civil, Carlos Alberto da Silva, depois de invadir (alcoolizado), com seu carro, a Academia da Força Aérea (também conhecida como o “Ninho das Águias”), foi mantido algemado por 2 dias (sim, 2 dias!) a uma cama de hospital da instituição. Incomunicável.

Parece que, não fosse a recusa de uma tenente-enfermeira, teria sido inserida uma sonda na uretra do preso, com o fim de tornar desnecessária a ida do mesmo ao banheiro.
É importante dizer (apesar de ser óbvio) que o militar que se encarregou de trazer à tona os fatos, o tenente-coronel Francisco de Carvalho Fontes (que fotografou, com seu celular, a cena acima), está passando por “maus bocados”.
Aqui a reportagem completa, de Leandro Fortes, feita para a CartaCapital.
© Cartas de Tiro
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Oi, João…
Li, na íntegra, o artigo e estou perplexa.Mesmo porque a FAB é considerada a ” elite” das Forças Armadas, o que nos faz prever o que acontece nos porões anônimos desse país sob o jugo das outras agremiações .
Sem dúvida, abuso moral, mas muito mais do que isso uma flagrante violação dos Direitos Humanos.Não me lembro de haver lido nem uma única nota a esse repeito em nenhum outro órgão de comunicação. Até isso me parece suspeito.
Enfim…é pouco estar estarrecida , ter medo ( muito…) do que isso significa. O que é que a gente faz quando sabe alguma coisa como essa e não age? Agir como ? O que será mais que anda por aí?
Nossa! Definitivamente, estou com uma esquisista sensação de nó no estômago.Lamentar é muito pouco.E poucos lêem Carta Capital.O que se pode fazer a respeito?
Você , hoje, se superou, meu amigo. Levei uma paulada.
Bjs.
Minha Querida Amiga Gizelda
Eu diria a você que, ao mesmo tempo em que a perplexidade aflora, o sentimento da “nenhuma surpresa” também é presente, ao menos para mim – ocorreram algumas questões, mas isso é assunto para outra oportunidade, provavelmente para nossas correspondências.
Os fatos relatados não deveriam se coadunar com estes tempos… Isso deveria ter ficado bastante para trás. Mas o ser humano, brilhante em tantos quesitos, não perde e não abandona certos vícios – creio ser da sua natureza. Imperfeita, claro. E condenável, claro.
Não me cabe aqui traçar linhas que levem ao medo… Mas certamente há coisas que a nossa vã compreensão sequer supõe. E isso assusta, sim.
Como hoje o país está bastante empobrecido no quesito “discussões em mais alto nível” (tudo se resume em imprensa a favor do governo [entenda-se PT] e imprensa contra o governo [entenda-se PSDB e DEM]), procuro ler tudo – insisto: rigorosamente tudo (de CartaCapital à Folha; de Observatório da Imprensa ao Estadão), o que acaba dando acesso a inúmeras informações, com enfoques distintos.
Acho que esse é o caminho: ainda que tenhamos restrições a “A” ou “B”, formar opinião própria exige que se leia muito e amiúde. E sem paixões.
Isso impõe que nos desarmemos. Exige que pensemos menos “com o fígado”.
A informação trazida por Leandro Fortes, via CartaCapital, é o exemplo disso tudo.
Um grande beijo, minha Amiga.